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domingo, 25 de setembro de 2011

ADOÇÃO: UM ATO DE AMOR

A adoção, mais do que um ato jurídico, é um ato de amor. É reconhecer no filho(a) gerado por outras pessoas, nosso filho(a). Para haver adoção é necessário que tenha havido antes uma situação de abandono e que, por menos sofrimento que tenha sido para a criança, mexe muito. Essa história anterior não dá pra ser modificada, mas dá para se construir uma outra história, pontuada de gestos de solidariedade, respeito, verdade e amor.

Muitos pais, principalmente por medo de provocar sofrimento no filho(a), ficam adiando e, às vezes, não contam que ele é um filho adotivo (segredos exigem omissões e mentiras). Encare a situação com naturalidade e fale a verdade o quanto antes, não deixe que seu filho saiba da adoção por terceiros, isso provoca um sentimento de traição e dor. Aproveite uma situação como a gravidez de alguém próximo, o nascimento de um bichinho, um filme e conte como ele chegou à família e como começou a história de amor de vocês.

Evite falar termos como "filho do coração", pois, filhos adotivos ou naturais, são sempre do coração. Ele nasceu da barriga de alguém que não pode criá-lo(a) e que vocês o escolheram para ser seu filho(a) para o resto da vida.

Cuidado com os mitos
O mito de que os filhos adotivos nunca serão amados como os filhos biológicos ou que eles darão problema, cedo ou tarde, é absurdo e preconceituoso, pois os filhos biológicos também podem apresentar sérios problemas comportamentais. Tudo que pode acontecer ao filho adotivo, também pode acontecer ao filho biológico. Mas, a sociedade tende a ser menos tolerante com as atitudes das crianças adotadas, devido ao preconceito e à falta de informação.

Algo que preocupa os pretendentes à adoção é saber a origem das crianças, saber se elas eram filhos(as) de prostitutas, marginais, delinqüentes,... pois têm receio de que essas características possam ser herdadas geneticamente. Estudos comprovam que "há muito de genética sim, mas nem tanto que não possa ser modificado pelo meio e pela educação".

A maioria das crianças não apresenta problemas em decorrência da adoção, e sim em razão da infância ser um período marcado pelas descobertas e pelos testes de limites, sendo necessário que os pais funcionem como modelo de autoridade e estabeleçam, claramente, os limites aceitos pela família. Contudo, algumas crianças adotivas apresentam dificuldade em aceitar afeto, em conseqüência de uma história anterior de rejeição, e passam a "aprontar todas", querendo testar o amor dos pais, mas, na verdade, tudo o que ela precisa é se sentir acolhida, cuidada e amada para se desenvolver de forma saudável, como qualquer criança.

Um amor conquistado
Para ser pai e mãe, não é necessário que se tenha vivido uma gestação biológica e sim afetiva. Procriar é fisiológico; criar é afetivo. Laços de sangue não são, necessariamente, os mais fortes. Quantas vezes temos mais afinidades com amigos do que com membros de nossa própria família? É a convivência amorosa que gera oportunidade de trocas de afeto, de carinho, de falar, de ouvir, de acolher e de estimular, de orientar e promover crescimento.

Alguns filhos adotivos manifestam o desejo de conhecer seus "pais biológicos", mas, não se preocupe, isso não quer dizer que ele não os ame e nem que deseja mudar de família e sim que deseja conhecer "um pedaço da sua história" para que elabore o fato de que foi abandonado(a) não por não merecer ser amado(a) e sim por ter sido gerado em uma família que não teve condições para criá-lo. É importante que você esteja ao lado do seu filho nesse momento, pois isso faz parte da construção de uma relação baseada na verdade, no respeito e no afeto. Afinal, filhos desejados ou escolhidos serão sempre filhos do amor.

Jornal “O Liberal” - Revista Troppo

A IDADE DA CRIANÇA COMO FATOR QUE DIFICULTA A ADOÇÃO: REALIDADE OU MITO?

Qual a maior causa de abandono de crianças brasileiras hoje?

Cintia- Quando eu trabalhava na Vara da Infância e Juventude de Salvador via que os motivos para uma mãe entregar o seu filho para adoção eram a falta de estrutura financeira e falta de apoio familiar e do genitor da criança. Geralmente eram mulheres que já tinham uma história familiar mal resolvida, eram emocionalmente desorganizadas, desestruturadas e sem a capacidade de assumir o compromisso de ser mãe, assim como não tinham uma relação estável com o pai da criança.
Como fica o psicológico de crianças abandonadas, ou mesmo tiradas de suas casas por maus tratos?

Cintia- As crianças sentem muita dor, não entendem o que está acontecendo de fato e nem o por quê passam por aquilo, algumas até sentem culpa por se sentirem o motivo pelo qual a mãe provavelmente será punida, elas acreditam que pode existir uma punição. Experimentam a dor do desamparo, medo de ficar sozinhas sem o amor de quem ama e por não entender bem a dimensão dos fatos.

No sething terapêutico muitas vezes não gostam de falar sobre o assunto, muito menos de uma situação delicada em que passou. Algumas conseguem responder a algumas perguntas, mas geralmente se mostram fechadas para tocar em determinados assuntos dolorosos, só após estabelecerem uma relaçao de maior confiança conseguem se abrir e chorar, mas tudo depende do caráter da criança e de sua abertura para falar.

Como a criança se comporta em um processo de adoção? O processo de adaptação com a nova família é difícil?

Cintia- Normalmente as crianças já desejam a adoção e esperam ansiosas por sua nova família, família esta idealizada e verbalizada sempre.

As maiores nem sempre acreditam que possam ser adotadas, pois dizem que as pessoas só querem adotar bebês. Ficam desesperançosos, mas outros já são mais otimistas.

Dentro do abrigo há crianças que demonstram sentir um pouco de revolta e algumas experimentam extrema ansiedade, mas geralmente sempre estão com um sorriso no rosto, dispostas abraçar a quem chegar e der um pouco de atenção e carinho.

Muitas vezes são atendidas pelo psicólogo (perito) da VIJ (Vara da Infância e Juventude) antes ou acompanhada por psicólogo do abrigo em que está, quando poderá ser feita uma avaliação psicológica para ser anexada ao futuro processo de adoção. Acontece tudo tranquilamente na maioria das vezes, pois o desejo existe e é ele quem faz acontecer a relação de amor e a abertura para que tudo dê certo.

Poucas crianças apresentam um comportamento aversivo ao processo de adoção, pois é normal que queiram uma família a ficar numa instituição.

É claro que quando começa a convivência antes de ser dada a sentença pode acontecer alguns desajustes para que ocorram os ajustes, é natural que algumas coisas aconteçam neste momento de adaptação.

Algumas pessoas, não generalizando, tem preconceito com crianças que são adotadas “tardiamente” ou seja, com mais de dois anos. Como é desenvolvimento do psicológico de crianças nessa idade? É possível uma adaptação ocorrer mais fácil?

Cintia- O que pode dificultar o estabelecimento de um vínculo não é exatamente a idade, mas a forma como a criança lida com suas emoções no período de adaptação, um pouco do temperamento pode influenciar, mas o mais importante é a forma em que o casal ou adotante solteiro vai lidar com algumas dificuldades que possam emergir de ambas as partes no período de adaptação, coisa que é normalíssima, pois estão se conhecendo e formando uma família, flexibilizando, se habituando. Quanto mais preparados a acolher as dificuldades e a superá-las desenvolvendo amor, maiores são as chances de sucesso de uma adoção, seja com uma criança pequena, grande ou até mesmo com uma criança que venha a apresentar extrema revolta, todas elas são capazes de mudar neste período, basta sentir que podem contar de verdade com os adultos e com o amor que desejam receber, que não há pré-requisitos para serem amadas e que não serão abandonadas novamente, elas querem crer nesta nova relação parental, querem não sentir medo de se entregar.

Casais italianos vão para o Brasil adotar crianças maiores, que já esgotaram todas as possibilidades de inserção em família brasileiras. Essas adoções têm sucesso mesmo com crianças acima de 10 anos, porque os casais chegam desejosos e fazem tudo para que a relação dê certo em um mês de convivência e conhecimento em um hotel para o estabelecimento de vínculos antes da audiência final, depois são mais 15 dias, aproximadamente, para a saídas dos documentos e voltam para a Itália . Já ouvi algumas vezes de casais chorando: “não teria filho melhor para nós do que esse”, “é como se ele já fosse nosso a vida toda”.

Devemos desmistificas preconceitos e preparam bem os adotantes, assim nada será dificuldade.

Como é realizado o trabalho de psicólogos, perante a nova família e a criança?

Cintia- Durante o período de convivência a nova família (adotantes e crianças) é acompanhada em alguns atendimentos psicológicos para checar a adaptação de todos à nova realidade. Se conversa com os adotantes, com a criança e se faz as devidas observações do vínculo que vai se estabelecendo. O psicólogo faz perguntas e os adotantes podem tirar dúvidas, é um momento de acolhimento de tudo o que diz respeito àquela nova realidade.

Este momento é muito importante porque acontece a integração de elementos de sentido e de significação que caracteriza a organização subjetiva de um âmbito da experiência dos sujeitos, ação, construção, história, transações e trocas sociais e cultura como configurações subjetivas da personalidade. É um complexo de articulações e possibilidades contraditórias e processos de ruptura e renascimento, tudo deve ser visto com sensibilidade e não com um olhar determinista, universalista, as coisas acontecem e tudo é bem vindo para que a relação tome sua própria forma e não uma forma mágica aprendida em livros de contos de fadas. (SILVA, 2008)

Precisamos investir na ciência, pesquisa, cultura e informação, usar mais a mídia para fazer o bem e unir os seres humanos em seu próprio benefício, pois as pessoas ainda estão alienadas aos processos sociais, econômicos, culturais, políticos e ideológicos. As pessoas insistem em encaixar as relações numa visão monolítica, elementar, cartesiana, construto-individualista, onde a irregularidade e o singular são marginalizados. Ou seja, o pensamento científico tem sido dominado pelo paradigma da simplicidade, então devemos investir em pesquisa e estudo, ainda mais se vamos ajudar tantas crianças a terem uma família. (Rey apud SILVA, 2008)
Referência: Silva, Cintia L. R. de. Filhos da Esperança: Reflexões sobre família, adoção e crianças. Monografia do curso de Especialização em Psicologia Conjugal e Familiar. Faculdade Ruy Barbosa: Salvador, 2008, 58 p.(Por Cintia Liana - Blog Psicologia e Adoção)

FRASE DA SEMANA

 "A relação com os pais adotivos será tão importante para a formação do caráter quanto o que aconteceu no passado difícil da criança, observo que até mais, pois estes é que irão conduzir a relação que esta criança terá com esse passado, a relação com o presente e a auxiliará no seu futuro."
(Cintia Liana)

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

NUNCA PARE DE SONHAR

ADOÇÃO HIV, uma possibilidade de amor...

O medo de perder um filho em pouco tempo ou os cuidados e medicamentos necessários aos soropositivos faz com que muitas pessoas ignorem a possibilidade da adoção de uma criança portadora do vírus HIV. Esse medo, porém, impede a vivência de uma bela lição de vida, como definem os pais que deixaram de lado o preconceito.

Não existe um registro exato sobre os números de adoções de crianças e adolescentes com HIV. Os poucos casos são lembrados com alegria por profissionais dos abrigos onde moram os jovens. A promotora de Justiça da 2ª Vara da Infância e Juventude - Adoção, Marilia Vieira Frederico Abdo, arrisca a estimativa de menos de 1% de crianças e adolescentes soropositivos adotados. "Elas não têm chance", lamenta. A promotora conta que, nos cadastros de pais candidatos à adoção, a opção "criança com HIV" sempre é descartada.

Órfãos da Aids ou abandonados pela família biológica ainda recém-nascidos, crianças e adolescentes com HIV crescem em abrigos que dispõem de estrutura necessária para atender ao público. A criação de espaços específicos para os soropositivos não se justifica pelo preconceito ou a preocupação em deixá-los com outras crianças, mas pela infraestrutura -medicamentos, equipe técnica preparada e outros- que oferecem.
 
Lição de vida

A adoção de crianças com HIV segue no caminho contrário ao das outras. Enquanto os pais interessados em adotar se dirigem à vara específica e são apresentados a meninos ou meninas com o perfil que escolhem, a adoção de soropositivos é fruto de uma paixão entre atuantes da área e as crianças.

"Os pais que adotam (crianças com HIV) são pessoas extremamente especiais. Eu digo que quem adota é acima da média, que não vai achar dificuldade em nada, não vê obstáculos", afirma a promotora Marilia. Ela ainda complementa que, diferente do que esperam aqueles que rejeitam a adoção de crianças com HIV, a oportunidade de ter uma família contribui para o bem estar dos jovens. "A carga viral (quantidade do vírus HIV no organismo) baixa drasticamente quando a criança vai para uma família", comemora. "Ela vive muito bem. Só desenvolve a Aids se tem baixa imunidade. São saudáveis, independente do HIV", complementa Maria Rita, da Apav.

A coordenadora da Apav acompanha de perto a melhora que uma família traz às crianças soropositivas. Ela, que considera as mais de 100 crianças já atendidas pela organização como sua família, adotou há dez anos um filho soropositivo, experiência que considera uma "lição de vida". "A adoção nos ensinou a viver, a enfrentar as dificuldades, não ter medo do futuro. O ser humano é muito egoísta, quer satisfazer a vontade de exercer a paternidade, não está preparado para sofrer. Muitos deixam de ser feliz com medo no futuro", afirma.

Transmissão vertical pode ser evitada

Curitiba - Entre cada 100 gestantes com HIV que não fazem tratamento durante a gestação, 30 crianças nascem infectadas pelo vírus, o que caracteriza a transmissão vertical. As chances do vírus da mãe passar para o bebê caem para até 2% quando é realizado o acompanhamento durante o pré-natal.

A transmissão vertical pode ocorrer em três momentos: durante a gestação, na hora do parto ou na amamentação. A maior incidência é referente ao momento do parto, 60 a 70% dos casos. O HIV passa de mãe para filho por meio do sangue e secreções da membrana que protege o feto, rompida nas contrações do parto normal. Em menor índice, a transmissão ocorre no oitavo mês de gestação. Além disso, as mães soropositivas não podem amamentar seus filhos, pois o vírus HIV também é passado aos bebês pelo leite materno.

A transmissão vertical só é comprovada quatro meses após o nascimento da criança. O teste que identifica o HIV é realizado no primeiro mês de vida e repetido após três meses, quando a criança desenvolve sua própria imunidade. Se o resultado for negativo no segundo teste, a criança não foi infectada. Caso o resultado seja positivo nas duas dosagens, a criança possui o vírus HIV.

'Cada um tem uma missão'

Curitiba - Para o adolescente Oliver (nome fictício), ser soropositivo não representa um problema em sua vida. Aos 17 anos, o jovem diz ter chegado à conclusão de que o convívio com o HIV é um sinal. "Já pensei que não precisava ter o vírus, não foi minha culpa, não abusei de nada. Cada um tem uma missão, se tenho HIV é que tenho que fazer alguma coisa", analisa.

Ele nasceu com o vírus, passado de sua mãe pela transmissão vertical. A descoberta aconteceu apenas aos 6 anos de idade, quando a mãe, que não sabia de sua sorologia e, por isso não fez acompanhamento específico para evitar a transmissão vertical, passou mal. Um teste verificou a presença do HIV em Oliver e em seu irmão mais novo, que hoje tem 15 anos.

De personalidade tranquila, Oliver está no último ano do ensino médio e faz um curso técnico em informática. No final do ano, presta vestibular para artes cênicas, para realizar o sonho de ser ator. Além dos compromissos com os estudos, o adolescente também se dedica à organização onde vive desde os 9 anos, a Associação Paranaense Alegreia de Viver (Apav). "Moro aqui, tenho de tudo e posso fazer algo para compensar isso."

O jovem mantém contato com a família, principalmente com a avó, com quem morou até os 6 anos. Mesmo sem a possibilidade de ser adotado, ele acredita que o receio dos pais em relação às crianças soropositivas é resultado da desinformação. "Não que a pessoa seja ignorante, mas não tem conhecimento sobre o assunto e fica com medo de adotar, até medo de pegar na criança. Isso não acontece, é só ter cuidado", explica. Para ele, a adoção é uma opção para ter filhos no futuro, além dos biológicos. Inclusive a adoção de crianças com HIV. "Você adotaria uma criança soropositiva", pergunto. "Com certeza", responde Oliver com brilho nos olhos.

Fonte: Folha de Londrina
Autor: Carolina Gabardo Belo

PRECISAMOS...

..."aprender muito sobre nós mesmos. Aprender a amar e buscar a paz. Quem melhor poderia representar tudo isso. Senão as crianças com seus corações puros e ingênuos. Ensinando-nos a olhar a vida de outro modo. Mostrando-nos que falta pouco, para compreender este mundo complexo que vivemos. Ensinando-nos também, que mesmo um olhar, um sorriso um pequeno gesto, um piscar de olhos, uma pequena palavra, uma mostra de amor, podem conquistar muito mais do que pensávamos"

CONVITE PARA A REUNIÃO DO GRUPO DE ESTUDOS

sábado, 10 de setembro de 2011

Existe fórmula mágica para lidar com a criança abusada?

 
Cada caso é um caso e aflora de uma maneira, o importante na adolescência é falar sobre o que aconteceu. Se os pais não se sentem bem em tocar no tema sozinhos com a criança, buscar um profissional que intermedie a conversa. Há varias maneiras de tratar isso, mas não existe cura interna, o que existe é através da terapia amenizar as conseqüências que isso pode trazer para toda a vida. É terapia por toda a vida, pois cada experiência pode despertar sentimentos com relação ao trauma. E aos poucos a pessoa, adolescente e adulta vai aprendendo a lidar com essas emoções que parecem ter desaparecido, mas em verdade podem estar sempre dormindo. Abusos há de vários tipos e sempre tratá-los como tal, não generalizar e tratá-los todos da mesma maneira. Crianças muito pequenas que foram abusadas, geralmente são retraídas ou agressivas se tem certa consciência do ocorrido. Qdo esse vestígio de consciência não existe nesse momento, seguramente sairá à frente na adolescência através da conduta, ou ate mesmo pode chegar a lembrar o que aconteceu qdo era pequena, como uma espécie de imagem indefinida que busca a emoção do momento e pluft a coisa explode. O que fazer com a criança ou adolescente no dia a dia, depende muito de cada caso, e do tipo de abuso. Por exemplo. Existem crianças que foram abusadas sexualmente e não suportam ser tocadas, ou beijadas, ou algum tipo de carinho físico...esses casos são bem especiais pois a aproximação física deve ser muito devagar à medida que a terapia avançar, a confiança se estabelecer.


Por isso não existe uma receita para "como tratar uma criança no caso de abuso" pois cada caso é um caso. O que eu diria seria coisas muito gerais: buscar ajuda profissional, não evitar falar sobre o assunto, muito amor, muito carinho, e muita empatia, não ter medo de colocar limites por que a criança tem um trauma, pois isso é cultivar outro problema.
Criança ou adolescente abusado tem uma autoestima baixa, desconfia de todos, e tem uma visão de mundo ruim. É aí que se deve trabalhar, na autoestima e na visão de mundo. A família bem orientada consegue lidar com as situações, e consegue ajudar a criança ou adolescente a conviver e a se fortalecer para lidar com essas feridas que se fecham muito lentamente. Mas é como montar montanha russa, uma hora sobe outra hora desce, e a terapia e a família podem ajudar no processo interno que a pessoa passa para saber lidar com essas emoções. Tempo é o amigo intimo de cada pessoa e a família , mas pode se tornar inimigo se deixar ele passar sem tomar nenhuma atitude para ajudar ao abusado. Pois o que hoje são feridas com possibilidades de fechar-se, amanha podem tornar-se armas para ferir outras pessoas da mesma maneira ou até mesmo pior. Dentro desses dois extremos existe um presente que é determinante para êxito futuro em muitas áreas da vida. No dia a dia é basicamente fortalecer a autoestima da criança ou adolescente, ganhar sua confiança a ponto de poder afrontar o assunto de frente em algum momento. Qdo se pode falar abertamente sobre o que aconteceu, é sinal de que se busca fortalecer internamente ao extremo de maneira certa. O abuso se reflete de varias maneiras: agressividade, apatia, retraimento, ira... atitudes que refletem pouca personalidade, ou seja um adolescente que é convencido facilmente a qq coisa, um adulto complacente demais, inseguro demais, indeciso demais.

Quem tem medo de não saber lidar com a situação tem que investigar dentro de si mesmo por que esse medo, depois que chegar a conclusão bem clara do por que esse medo, então poderá ter uma idéia maior de suas limitações para lidar com certas situações. Às vezes queremos muito alguma coisa, mas essa coisa pode não ser pra nós. Me explico?! E isso não é vergonha pra ninguém. Cada pessoa é uma única, e seria muito chato o mundo se todas fossem iguais. Lembre de sua infância e de como seus cuidadores eram com você, e se vc se sente satisfeita com a segurança que eles te passaram, a educação que eles te deram, se sentiu amada e cuidada saberá como atuar com com qq criança e terá as ferramentas internas necessárias para ajudar a uma criança com traumas. Ter uma fortaleza interna é fundamental para lidar com crianças abusadas. Essa fortaleza vem das interpretações positivas de suas experiências de vida( ate do negativo saber tirar algo positivo), essas são as pessoas que conseguem lidar com crianças com traumas. Mas nem tudo se faz sozinho, e por isso hoje em dia já tem tantas áreas dedicadas à ajuda psicológica. Nem todo psicólogo é apropriado para lidar com certos"problemas" e por isso existe a vocação e as especializações. Fica sempre atenta a quem buscar, que títulos tem, que trajetória tem, que experiência tem. (blog Adoção Tardia)

POESIA: OS OLHOS DO NOSSO FILHO

Os olhos do nosso filho
São ainda de cor incerta
Não sei sequer se existem
Vão ser de Deus uma oferta

Existem na minha alma
Cravados no meu semblante
Os olhos do nosso filho
Que teve nascer errante

Foste esculpido a preceito
Nas entranhas de outro ser
Não vais sorver do meu peito
Este meu longo querer

E nestas voltas da vida
Cuidou-te Deus sem saber
Para que não herdes no sangue
Este meu estéril sofrer

Não vais nascer de mim
De outro ventre virás
Mas filho da minha alma
Tão amado serás!

E nesta triste incerteza
Me pergunto em desalento
Já nascente de alguém?
Ou é Deus que te traz?

Ala dos Reis

INDICAÇÃO DE LEITURA

  • Histórias de Adoção: as mães
  • Autoras: Ana Amélia Macedo e Solange Diuana
  • Editora: Navona
  • A revolução do afeto: dez passos para a felicidade
  • Autor: Sávio Bittencourt
  • Editora: Santuário
  • Manual do pai adotivo
  • Autor: Sávio Bittencourt.
  • Editora: Nota bene
  • 101 perguntas e respostas sobre Adoção
  • CeCIF(org).São Paulo: CeCI 200
  • E-mail: cecif@uol.com.br
  • Mitos e segredo sobre a origem da criança na família adotiva
  • Autora: Cynthia Ladvocat
  • Editora:Booklik Terra dos Homens. Rio Janeiro, 200
  • Retrato em preto e branco. Manual prático para pais solteiros
  • Autor: Ângelo Pereira
  • Editora: Sumus Editorial, 2002
  • Filhos adotivos pais adotados –Depoimentos e histórias de escolhas
  • Autora: Lídia Weber
  • Onde encontrar:editora@jurua.com.br
  • Eduque com carinho-equilibrio entre amor e limites
  • Autora: Lídia Weber
  • Editora:juruá, 2005
  • Onde encontrar:editora@jurua.com.br
  • Amor não tem cor
  • Autora: Giselda Laporta Nicolelois
  • Editora:FTD, 2002

ADOÇÃO TARDIA

" Porque um dia, ver uma criança sem família, ao relento, ou sob cuidados de uma isntituição, causará a indignação necessária, para mobilizar tudo e todos, em prol de lhe garantir o direito fundamental à convivência familiar"
(BLOG ADOÇÃO TARDIA)

domingo, 4 de setembro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA ADOÇÃO

"Adotar é dar a uma criança ou adolescente a oportunidade de ter um lar, uma família de forma definitiva, com todos os vínculos próprios da filiação, a oportunidade de crescer, crescer para a vida, a adoção deve ser vista como a oportunidade de se ter um filho que se decidiu ter."

É um ato que se faz por vias legais, pelo qual se criam laços semelhantes à filiação biológica, ou seja, o filho adotivo tem todos os diretos e deveres que um filho biológico teria, a adoção não poderá ser alterada, é irrevogável, é um ato de amor e não um simples contrato, não é sentimentalismo, nem caridade, razão pela qual deverá ser o resultado de uma decisão muito bem pensada e madura.

A adoção envolve vocação, vontade de desenvolver a maternidade e a paternidade intuitiva, pelo real desejo de ter um filho, reflete o desejo de construir uma família, por decisão dialogada e refletida. O momento certo da adoção é aquele em que o casal sente que mais alguém deve compartilhar de suas vidas, quando tudo está bem, quando há muita paz interior, harmonia, quando o casal está afetiva e efetivamente unido.

É um erro adotar por mero capricho ou pelo desejo de afirmação social, erro maior ainda se for pagamento de promessa, por caridade, para resolver conflitos conjugais, a adoção não é uma fórmula mágica para tapar buracos.

Há pessoas que acham que a adoção pode substituir a criança que morreu, “ninguém substitui ninguém”, se houve uma perda de um filho, melhor será dar um tempo, deixar passar o luto e amadurecer a idéia, pois a criança que virá ocupar o lugar do filho que partiu, certamente não será a reprodução do anterior.

Muitas vezes os casais pretendentes à adoção, estão despreparados para conviver com uma criança, apesar de desejarem com toda a sinceridade, não sabem como deverão se comportar ou como será o novo ambiente familiar, a preparação é muito importante para que possam desempenhar com naturalidade o papel de pais, ajudando a criança a se desenvolver plenamente.

As pessoas interessadas em requerer a adoção devem fazer uma alta análise, para que conheçam seguramente a real motivação que as leva a esse compromisso, conscientizando-se da responsabilidade e complexidade desse grandioso ato, é extremamente doloroso o arrependimento dos pais e mais doloroso ainda para a criança, saber que novamente foi indesejada ou rejeitada, podendo ser devolvida para a instituição...

Muitos casais na expectativa e na ânsia de terem o tão sonhado filho, não percebem o seu despreparo psicossocial, necessitando de informações e orientações sobre o relacionamento entre pais e filhos, uma boa orientação tanto para pretendentes a adoção, como para pais adotivos, pode ser obtida através de psicólogos, assistentes sociais e grupos de estudos e apoio a adoção.

A criança deve entrar em um lar sem o compromisso de resolver os problemas dos adultos, não se deve por em suas costas tamanha responsabilidade, afinal ela é um ser frágil, em desenvolvimento, que precisa de proteção e afeto.

Um filho se adota por amor, os pais adotam e também são adotados por esse filho, para amá-lo não é preciso que ele saia de seu ventre, nem que seu esperma e seu óvulo tenham colaborado para que ele viesse ao mundo, ele não precisa ser gerado dentro das paredes de sua casa para ser amado, as raízes se formarão na alma humana, tornando-se um amor incondicional, após algum tempo você sentirá quão grande é esse amor...   

Maristela Lorenzoni – Mãe adotiva - Grupo de Estudos e Apoio à Adoção Semeando Amor - Campos Novos / SC

Adoção: uma medida excepcional e irrevogável

A adoção é uma medida excepcional (ou seja, incomum) e irrevogável (depois de realizada, não se pode voltar atrás), que atribui a condição de filho ao adotado, o qual passa a ter os mesmos direitos e deveres de um filho, inclusive os sucessórios (transmissão de patrimônio), e desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes biológicos, salvo os impedimentos matrimoniais (ECA, Art. 41).
 
Em nosso país, a adoção é atualmente regida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei Federal n. 8.069/1990) e pela lei nacional de adoção (Lei Federal n. 12.010/2009).
 
A adoção vem sendo praticada desde a Antigüidade e várias foram as formas de entendê-la e de regulamentá-la ao longo da História. Até bem pouco tempo atrás, a adoção era vista como ato que interessava principalmente os adotantes, ou seja, visava suprir sua necessidade de ter um filho, especialmente para aqueles que não podiam gerá-lo. Pouco se cogitava, até então, se essa medida era a melhor também para a criança ou adolescente adotado.
 
Estatuto da Criança e do Adolescente
 
O Estatuto da Criança e do Adolescente, promulgado em 1990, inaugurou uma nova forma de pensar a adoção (chamamos de uma "nova cultura da adoção"). O ECA coloca a criança e adolescente como sujeitos de direitos, que estão em condições especiais de desenvolvimento e merecem prioridade absoluta de atenção do governo, da sociedade e da família.
 
Isso quer dizer que a adoção, hoje, deve ser orientada especialmente pelo interesse da criança e do adolescente, no sentido de garantir-lhes o direito de crescerem e serem educadas no seio de uma família. Mas é claro que não se trata agora de pensar apenas no interesse da criança, pois essa nova cultura concebe a adoção como um encontro de necessidades, desejos e satisfações mútuas entre adotantes e adotados (PNCFC, 2006).
 
E é justamente para proteger o melhor interesse das crianças e adolescentes que a adoção é considerada uma medida excepcional. Isto é, atualmente entende-se que antes de serem adotados, deve-se tentar todas as alternativas possíveis para que as crianças e adolescentes possam retornar ao seio de sua família de origem (ECA; PNCFC, 2006).
 
Assim, somente quando a Justiça e o Ministério Público se convencem de que não é mais viável seu retorno à família de origem é que se pode encaminhá-los para adoção, o que depende da perda do poder dos pais biológicos sobre as crianças (chamado de destituição do poder familiar ou pátrio poder). Esse processo pode parecer complicado e demorado demais para os interessados em adotar, mas visa justamente evitar que crianças e adolescentes sejam desligados de seus pais biológicos por motivos injustos, como, por exemplo, a simples carência de recursos materiais da família (ECA, Art. 23).
 
Por outro lado, quando a família de origem realmente não pode mais ficar com seus filhos, a integração em família substituta por meio da adoção é a melhor forma de devolver para eles a convivência familiar e comunitária tão importante ao seu desenvolvimento sadio.
 
É importante lembrar, acima de tudo, que toda criança e adolescente merece o aconchego de um lar em família, seja de origem ou substituta, ao invés de permanecer até a idade adulta em instituições de acolhimento (abrigos), como ainda muito acontece em nosso país.
 
Fonte: Estatuto da Criança e do Adolescente. Lei Federal n. 8.069/1990, de 13 de julho de 1990.
Plano Nacional de Convivência Familiar e Comunitária. Brasília: CONANDA, 2006.

FRASE DA SEMANA

"A adoção não é uma garantia de felicidade, nem um risco de infelicidade. Ela é uma das formas de abordar a criação de um grupo familiar, no seio do qual ocorrerão os mesmos problemas enfrentados por todos os pais e todos os filhos."                  (Hubert et Monique Calloud)

VIII ENCONTRO ESTADUAL DE GRUPOS DE APOIO À ADOÇÃO

 O evento ocorreu no Hotel Bourbon, em Joinville / SC e foi voltado para os grupos de estudo, Poder Judiciário, Ministério Público e demais participantes do sistema de garantia dos direitos de crianças e adolescentes.

No primeiro dia, antes mesmo da abertura oficial, os participantes se reuniram e debateram sobre os temas: Grupos de Estudos e Apoio à Adoção: Avanços e Perspectivas, Plano Individual de Atendimento e Cadastros Estadual e Nacionais. 

À noite tivemos um jantar com a participação de autoridades e integrantes dos Grupos de Estudos. O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador José Trindade dos Santos, fez a abertura oficial onde foi destacado a importância de debater e melhorar o sistema de adoção no Estado.

Na quarta-feira (31), houve a apresentação dos Grupos de Estudos e Apoio à Adoção de Santa Catarina, seguido de conferência sobre “Destituição do Poder Familiar: Responsabilidades e Consequências”.

Ainda pela manhã, tivemos a mesa redonda coordenada pela juíza Joana Ribeiro Zimmer, da Vara da Infância e Juventude de Piçarras, com moderação da juíza Ana Paula Amaro da Silveira, da Vara da Infância e Juventude de Gaspar.

Também ouvimos o tema “Preparação para Adoção: Histórias que se cruzam”, coordenada pela juíza Nayana Scherer, da Vara da Infância e da Juventude de Araquari.

Após a apresentação das conclusões das oficinas realizadas, houve o encerramento, com a escolha do local e data de realização do próximo encontro. Será em Balneário Camboriú, no mês de novembro de 2012.

..."A adoção tem se constituído em tema de muitos debates nos últimos anos. Há uma movimentação positiva de setores da sociedade que visam estabelecer uma nova cultura, uma nova forma de "viver" o processo adotivo. É um momento extremamente significativo mesmo porque são muitos os componentes que envolvem o tema, tanto no sentido psicológico quanto no social e jurídico"...

A presidente do GEAAFA, Marli Osaida participou deste Encontro, juntamente com outros membros da diretoria, representando a cidade de São José/SC. 

"EU PRECISO SER A MUDANÇA QUE QUERO VER NESSE MUNDO" (GANDHI)

domingo, 28 de agosto de 2011

O GOSTOSO DESAFIO DE AMAMENTAR O FILHO ADOTADO

Isto mesmo que vocês estão pensando, uma mãe que acaba de adotar um recém-nascido pode tentar amamentá-lo, caso deseje, esteja disponível e tenha apoio de profissional de saúde capacitado na técnica de "lactação adotiva" ou de "indução ao aleitamento materno".

Mesmo sem o estímulo prévio dos hormônios da gestação, uma mulher pode chegar a produzir leite através do método para a reindução da lactação. Este processo exige grande motivação por parte da recém mãe e apoio profissional constante. Este esforço é amplamente recompensado ao oferecer à mãe adotiva a grata experiência de amamentar seu filho, não sendo mesmo difícil chegar ao aleitamento exclusivo.

Na mulher com a amamentação induzida, a mama não experimenta as transformações mamárias próprias da gestação, o que resulta um mamilo não pigmentado, mais sensível, podendo irritar-se facilmente. O ideal, então é que este mamilo e esta aréola sejam preparados com exercícios e banhos de sol. No caso da nova mãe haver amamentado antes, pode-se observar a presença de leite já nos primeiros 7 dias; se é sua primeira experiência, este aparece em geral durante a segunda semana, dependendo de quantas vezes o lactente é colocado ao seio para estimulá-lo. Nas mães adotivas a produção de leite segue aumentando ainda até o sexto mês. A maioria destas mulheres consegue amamentar seus filhos adotivos com seu leite pelo menos a metade das suas necessidades. Na lactação adotiva, o essencial para produzir leite, é o estímulo freqüente da mama, que pode aumentar com a ordenha manual ou pelo emprego de adequadas bombas elétricas de extração. O estímulo da sucção aumenta os níveis de Ocitocina e Prolactina na mulher e como efeito secundário podem ser observadas irregularidades ou ausência de menstruação, o que comprova que o processo está indo bem. Usamos alguns medicamentos que aumentam a prolactina como os antagonistas da Dopamina - Fator de Inibição da Prolactina. Também temos uma boa experiência com algumas substâncias homeopáticas.

A dificuldade deste processo não é a recuperação da produção de leite, senão conseguir que o lactente succione de uma mama sem leite. Com este objetivo pode-se gotejar leite sobre a região da aréola quando o lactente inicia a amamentação por meio de um conta-gotas. Outra possibilidade, melhor, é oferecer leite por meio de uma sonda que por um lado está conectada a um recipiente com leite e sua outra extremidade é introduzida na boca do lactente junto com o mamilo, de tal maneira que ao mamar, o lactente obtém leite da sonda e por sua vez desencadeia os reflexos de produção e ejeção do leite. Há suplementadores importados e caros no comércio, porém podem ser montados facilmente com um copo comum e uma sonda (oro ou naso gástrica) fina ou um finíssimo tubo de plástico.

Nestes casos devem-se controlar de forma periódica, as evacuações, diurese e o peso do lactente, para reduzir o suplemento de forma progressiva até suspendê-lo quando a mãe recupere sua produção de leite.

É fundamental que as mães adotivas aumentem sua ingestão calórica, já que elas não contam com a reserva de gordura que a puérpera geralmente apresenta, para cobrir os requerimentos energéticos da produção de leite.

Vale à pena tentar!

(matéria escrita pelo Dr. Marcus Renato de Carvalho do Rio de Janeiro, coordenador da Clínica Interdisciplina de Apoio à Amamentação)

GRATIDÃO

Escrito por: Renata Palombo

Muitas pessoas já olharam para os meus filhos e disseram:

"Que sorte a deles! O que seria da vida deles sem vocês? Onde estariam?"

Geralmente estas falas veem acompanhadas de admiração como se estivessem sugerindo que num "ato heróico" nós os salvamos de um futuro fadado ao fracasso.

Acho que é inevitável pensarem isso. Confesso que eu mesma já pensei nisso algumas vezes, mas na verdade, acreditar nisso seria pura PRETENÇÃO!

Seria acreditar que eu e meu marido somos as melhores e mais bem preparadas pessoas para ter filhos.

Seria acreditar que temos poder para transformar as piores possibilidades de futuro em sucesso absoluto.

Seria acreditar que pelo nosso "ato heróico" nossos filhos nos deverão gratidão eterna.

Todos sabemos que nada disso é verdade!

Somos falhos! Nada do que fizermos garantirá um futuro de sucesso absoluto! E meus filhos não nos devem gratidão!

É bem verdade que eu espero gratidão deles SIM! Seria hipócrita se dissesse que não espero! Mas que fique claro que isso é o que eu espero e não o que eles me devem. Isso não é uma dívida! Eu espero gratidão porque sou MÃE e mães esperam gratidão.

Alguma mãe não espera gratidão de seus filhos? Alguma mãe não sofre quando o filho fala que não pediu para nascer ou quando manifesta desejo de ir embora de casa só porque não pode assistir o que quer na TV? Alguma mãe não sente o coração doer quando numa forma infantil de protestar o filho fala que gosta mais da avó ou que preferia ser filho da mãe do amigo? Alguma mãe não sofre quando o filho reclama da comida, da roupa, da arrumação ou de qualquer outra coisas que tenha sido feita com todo carinho?

Eu também sofro com os "lapsos" de ingratidão deles. Odeio passar por esses momentos. Mas isso vem no pacote de SER MÃE e vamos descobrindo "as duras penas".

Será que alguém já olhou para minha família e pensou sobre o que seria da gente se não os tivessemos como filhos? Como seríamos? O que estaríamos fazendo?

Eu nao sei o que seria das nossas vidas se não nos tivéssemos. Talvez seríamos mais felizes, talvez não. Talvez teríamos menos amor, talvez mais. Talvez encontrassemos outras pessoas, talvez ficaríamos sozinhos para sempre. Quem vai saber qual seria o futuro de uma história que não aconteceu?

O fato é que ninguém DEVE nada a ninguém. Nós escolhemos este caminho.

Pensando bem, acho que há sim uma dívida de gratidão. É a GRATIDÃO a Deus por ter cruzado nossos caminhos.

Obrigada Senhor!!!

MATERNIDADE X MATERNAGEM

 
Gostaria de distinguir maternidade de maternagem.

         Embora em grande parte das situações elas “andem” juntas e são indissociáveis, elas são coisas distintas. A maternidade é o processo biológico de tornar-se mãe. É caracterizada pelo laço sanguíneo que une mãe e filho. Já a maternagem não tem como suporte a condição biológica, e nem mesmo o gênero, mas está amparada no afeto e no profundo desejo de cuidar.

         A maternidade é uma condição física, nem sempre uma opção, mas a MATERNAGEM É SEMPRE UMA ESCOLHA, mesmo que posterior, uma decisão de dedicação por amor.

        Gerar, gestar e parir é maternidade. Cuidar, amar, proteger, doar, ensinar é maternagem. Maternidade é instinto, Maternagem é aprendizado.

        A maternagem é o útero das relações humanas.

        É possível ser MÃE sem a maternidade, mas não é possível ser MÃE sem a maternagem. No nascimento biológico ocorre a separação física entre a mãe e o bebê, porém somente a ligação afetiva, íntima entre os dois é o que legitimará (de fato) a filiação para toda a vida.  (Por Renata Palombo)

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

GEAAFA agora tem site!!!

Finalmente estamos lançando o nosso site!!! Mais uma importante etapa na construção deste grupo tão importante para a sociedade. 


Deixe um comentário com sua opinião/sugestão...


sábado, 20 de agosto de 2011

FILHO IDEAL X FILHO POSSÍVEL

Reclamamos tantos dos preconceitos sociais ou quando sofremos com o preconceito de outras pessoas, mas não pensamos que temos as nossas velhas e ultrapassadas convicções, que caducaram há muitos anos. Quando falamos de relacionamento humano, pensamos logo em relações delicadas, cheias de complexidades.

O relacionamento de pais e filhos, sejam eles biológicos ou adotivos, são cheios de significados, dificuldades, sensações e entraves emocionais, relacionamentos que também são recheados de muito amor e mágoa. Mas algumas pessoas insistem em levar adiante discursos preconceituosos, egoístas e levianos em relação a adoção por ter conhecido um ou dois casos de famíllias adotivas que estavam tendo conflitos e muitas vezes conflitos que acontecem em qualquer família, mas insistem em colocar a responsabilidade do problema na adoção, ou pior ainda, no filho adotivo, como se a resposta do conflito fosse tão simplista, estivesse focada numa pessoa ou num só aspecto.

Por falta de estudos na área e conhecimento, as pessoas tendem a generalizar. Acaba sendo mais fácil verbalizar e perpetuar o que é negativo, ao invés, de falar dos aspectos positivos ou se abrir para conhecer histórias bem suscedidas. (...)

Ao adotarmos, estamos acolhendo um ser humano, já composto por uma complexa dinâmica psíquica, independente da idade. Quem garante aos adotantes que aquele recém-nascido será uma criança brilhante, otimista, criativa, bem socializada? Nem os pais biológicos têm essa garantia com seus filhos. O bebê já traz memórias desde o últero materno. E quem é que nunca conheceu uma criança que, por maior as dificuldades enfrentadas por ela, era uma criança alegre, carinhosa, receptiva, espirituosa e otimista, capaz de enxergar as melhores nuances de uma situação difícil? Eu já conheci muitas, principalmente em abrigos. (...)

Todos nós influenciamos e somos influenciados a todo instante pelo meio, não importa a idade que temos, isso só irá depender do amor que sentimos, da identificação, do desejo de mudar e não da força ou do controle do outro, que acha que ser deste ou daquele modo é mais correto.

Vejo que a criança, em qualquer estágio de vida, quando é adotada, passa a desejar ser como os novos pais. Às vezes o processo é lento, mas se o amor existe, a família torna-se muito coesa e harmoniosa e a criança adotiva passa a parecer até fisicamente com os novos pais com o passar do tempo.

Lembrem-se, os laços de sangue não são os mais fortes, se fossem não existiriam filhos biológicos abandonados. Tenho certeza que poderemos construir lanços afetivos parentais com qualquer criança, só basta sentir empatia e o desejo de estarmos receptivos ao que ela tem para nos oferecer e isso passa longe de ter a ver com cor, sexo ou idade.(...)

Não é verdade que uma criança com uma faz etária maior, causa mais problemas ou se adapta mais dificilmente quando é adotada. Essas crenças são fantasias nascidas dos preconceitos. Caracteriza-se um dos maiores mitos na adoção. Se fosse assim, crianças que viveram em situação de risco, abandono ou cresceram em abrigos não mereceriam ter uma família? São crianças problemáticas? Menos merecedoras de afeto por terem traumas?
Elas, como todas as outras menores, merecem uma família, são capazes de mudar. E o fato de terem traumas, como todos nós, não as deixam inaptas a estabelecer com sucesso uma relação afetiva verdadeira, baseadas no respeito e no amor. (por Cintia Liana)

O SIGNIFICADO DE UMA ADOÇÃO

Em lugar da frustração de não ter filhos, o casal pode optar pela solução
que é um compromisso de amor.

         A infertilidade pode ser uma das mais difíceis experiências da vida de um casal. Isso porque a dificuldade em gerar um filho ativa fantasias, às vezes, incontroláveis tanto para o homem como para a mulher.
         Para o homem, um filho representa virilidade e força. Já para a mulher, é o símbolo máximo de sua condição feminina. Quando o casal tenta ter filhos e não consegue, essa incapacidade atormenta o relacionamento, a vida sexual, a estima pessoal e o contato com amigos e familiares. Em resumo: coloca o casal em xeque como em nenhum outro momento de sua vida.
         O médico moderno tem condições de ajudar casais inférteis, mas o tratamento é caro, longo e acessível apenas nas grandes cidades do país.
         Para enfrentar essa situação-limite, vale a pena pensar com o coração, levando a sério a possibilidade de adotar uma criança. Afinal, o amor é uma dádiva, um sentimento que se conquista e se transmite. Ninguém nasce amando, o que significa, em outras palavras, que é possível aprender a amar.
         Se o casal decidir pela adoção, estará não apenas firmando um compromisso amoroso como também doando amor a si mesmo.
         Por que se atormentar com a infertilidade, se há sempre uma criança à espera de ser amada?

 Dr Malcom Montgomery é ginecologista e obstetra.

SUGESTÕES DE LIVROS PARA AS CRIANÇAS

:: Literatura Infanto-juvenis
  • A boneca de pano. ALVES, Rubem. São Paulo: Edições Loyola, 1998.
  • Adotar uma estrela. MOSTACCHI, Mássimo. São Paulo: Editora Paulus, 1995.
  • A galinha que criava um ratinho. MACHADO, Ana Maria. São Paulo: Ática, 1999.
  • A história bonitinha de Maria estrelinha. CARVALHO, Márcia Lopes de. São Paulo: Edicon, 1997.
  • A história de Ernesto. O filho adotivo. COMPANY, Mercê. São Paulo: Paulinas, 1994.
  • Amor e Carma - LOPES, Márcia Pereira. São Paulo: Petit, 1996.
  • Conta de novo a história da noite em que eu nasci. CURTIS, Jamie Lee. Rio de Janeiro: Salamandra, 1998;
  • Diário ao Contrário. BARROS, Sônia. São Paulo: Atual, 1997.
  • Em busca de mim. VIEIRA, Isabel. São Paulo: F.T.D, 1990.
  • Esta criança é minha. DENKER, Henry. São Paulo: Mandarin, 1997.
  • Faltava você. BRETERNITZ, Julieta. São Paulo: Mundo Cristão, 1997.
  • Filho adotivo. CARVALHO, Vera Lúcia Marinzeck de - CARLOS, Antônio. São Paulo: Petit, 1993.
  • Fofinho. NORONHA, Teresa. São Paulo: Ática, 1999.
  • História de Paquito - Tornar-se mãe. GILLINI, Mariatereza Zattoni. São Paulo: Paulinas, 1997.
  • História de um segredo. GILLINI, Mariatereza Zattoni. São Paulo: Paulinas, 1999.
  • Irmão negro. CARRASCO, Walcyr. São Paulo: Moderna, 1995.
  • Mamãe: por que não nasci de sua barriga?. DOMINGOS, Maria Salete Rodrigues. Florianópolis: IOESC/Fundação Vida, 1993.
  • Meu nome é esperança. JOSÉ, GANYMÉDES. Rio de Janeiro: Ediouro, 1974.
  • Neco Sol. FONSECA, Leonie Gonçalves da. Petrópolis: Vozes, 1985
  • O livro mágico da bruxinha Nicolau. ESPESCHIT, Rita. São Paulo: Atual, 1998
  • O milagre do amor. AZEVEDO, Maria Alice Penna de. São Paulo: Paulinas, 1989.
  • O pintinho adotivo. DOMINGUES, Márcia Glória Rodrigues. São Paulo: Ed. Do Brasil, 1993.
  • Quem fica com Felipe? MONTEIRO, Ilsa Lima. São Paulo: F.T.D., 1998.
  • Todo mundo tem família. RAMOS, Anna Cláudia - Ana Raquel. Belo Horizonte: Fromato Editora, 2000.
  • Tráfico de anjos. PUNTEL, Luiz. São Paulo: Ática, 1992.
  • Uma dose de amor. SOUTO, Marly Ap. Garcia. São Paulo: Edicon, 1996.
  • Vínculos. GÓES, Lúcia Pimentel. São Paulo: Atual, 1987.

sábado, 13 de agosto de 2011

CAMPANHA ADOÇÃO - LAÇOS DE AMOR

A campanha Adoção – Laços de Amor é uma parceria entre a Assembléia Legislativa de Santa Catarina, o Ministério Público, o Tribunal de Justiça e a OAB-SC e tem por objetivo sensibilizar a população para a adoção tardia. Assista os vídeos:

FAMÍLIA PEREIRA:

Versão para a TV:
http://www.youtube.com/watch?v=gGzSyubzarQ&feature=related

Versão Estendida:
http://www.youtube.com/watch?v=xNwxDvYBDR4&feature=related

Assista, também, às duas versões do filme da FAMÍLIA OSAIDA.

Versão para a TV:
http://www.youtube.com/watch?v=wijv5DPJ9Ik

Versão Estendida:
http://www.youtube.com/watch?v=dWtU6iW1LTU

Mais informações sobre a campanha, através de seu site: http://www.portaladocao.com.br/a-campanha/

INDICAÇÃO DE LEITURA

Este livro, escrito por Hália Pauliv, mãe adotiva e autora de diversas outras obras de sucesso, além de larga experiência como voluntária na área de adoção, nos traz uma gama de informações e esclarecimentos acerca de dúvidas, mitos, orientações e situações das mais diversas e relevantes ligadas ao tema da adoção. Podemos certamente afirmar que é uma das obras mais completas já publicadas, e sem dúvida é uma ótima indicação para quem deseja ou precisa se aprofundar no tema.

Aproveitamos para indicar outras leituras: 

 Adoção, a Família da Flora,  Caroline Caíres Coelho 
Somos Um do Outro, de Todd Parr 
Conversando com Crianças sobre Adoção,  Lilian de Almeida Guimarães Solon 
A Estrelinha Distraída, Halia Pauliv, Ed. Juruá 
Adoção:  o amor faz o mundo girar mais rápido, Halia Pauliv, Ed. Juruá

BOLETIM INFORMATIVO

•  ENCONTRO ESTADUAL DE SANTA CATARINA 
Local: Joinville
Data: 30 e 31 de Ago/2011
Realização: Tribunal de Justiça de Santa Catarina

•  IX ENCONTRO ESTADUAL DE SÃO PAULO
Local: Faculdades Metropolitanas Unidas, FMU Campus
Liberdade, São Paulo/SP
Data: 16 e 17 de Set/2011
Realização: Grupo de Apoio à Adoção de São Paulo
Informações: (11) 3743-7584

•  ENCONTRO ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO
Local: Niterói/RJ
Data: 28 e 29 de Out/2011
Realização: Quintal da Casa de Ana
Informações: (21) 2622-6968 / (21) 2613-2042

•  VII  ENNOAPA:  ENCONTRO  NORTE-NORDESTE DE
ADOÇÃO E  I  ENCONTRO DE  INTEGRAÇÃO DE  ADOÇÃO:
BRASIL-PERU-BOLÍVIA
Local: Rio Branco/ AC
Data: 26 e 27 de Out/2012
Realização: GEAAC: Uma Adoção Consciente
Informações: (68) 9999-5656 / (68) 9976-0161

DEVOLUÇÃO DE UMA CRIANÇA ADOTADA

Muitos pretendentes se preparam para adotar uma criança e fantasiam um filho sonhado. Mas o que existe é uma criança real. Como a realidade não corresponde ao idealizado, devolvem a “criança-objeto”, aquele que é “o filho dos outros”.

A adoção é apenas o processo para se ter um filho. Esta, depois de concluída, será apenas uma etapa dos pais adotantes e do filho adotado. Daí para frente acaba o “filho adotivo” inicia a fase de filho e ponto final.
Alguns pais adotivos levam em consideração a diferença física, o comportamento diferente, a ausência dos laços sanguíneos como fatores determinantes para gerar a hostilidade e a rejeição. É muito mais fácil colocar a culpa da sua incapacidade e irresponsabilidade na criança, que é o ser frágil e que necessita de acolhimento.
Esta criança que já foi abandonada pelos progenitores, (fato diferente de “devolver”), teve o direito de nascer mas tem no seu destino o caminho do abrigamento e possível adoção. Poderá ser amada pelos adotantes mas poderá acontecer um fracasso por parte dos adultos que não lutam pela conquista afetiva.
Os filhos biológicos ou consangüíneos também apresentam dificuldades e os pais não podem “se livrar” deles, expulsá-los de casa. Filhos, sejam gerados pelos pais ou adotados, não tem prazo de validade e não podem ser trocados por apresentarem um possível “defeito” (que todos temos).
As seqüelas ficarão na criança que passa pela devolução. Haverá queda de autoestima, dor, sofrimento, se sentirá rejeitada, incompreendida. O pior que muitos fazem a “devolução” após bom tempo de convivência, machucando sobremaneira aquele que está, muitas vezes, chegando na adolescência. A criança cresce, não é mais dependente e os adultos esquecem que também foram crianças arteiras e adolescentes.
Os adultos que “devolvem“ uma criança deveriam ser juridicamente responsabilizados por tal ato. Sabemos de um caso de devolução em que o jovem desenvolveu “cegueira emocional”. Seus olhos clinicamente perfeitos se negavam a ver o mundo.Tornou-se um cego devido o trauma por que passou.
Pedimos aos adotantes que pensem muito antes de levar uma criança cheia de esperança para casa. É preferível pedir um prazo para pensar melhor, aumentar o período de aproximação e ter certeza no que está fazendo.
Criança não é um brinquedo que é escolhido numa loja e que poderá ser trocado ou devolvido. Nos abrigos não há opções, há pessoinhas cheias de esperança de ter família,de ser amada e respeitada. Criança não é objeto, é GENTE!!!! (

FIQUE POR DENTRO...

Mais de 500 crianças foram adotadas pelo Cadastro Nacional de Adoção (CNA), mantido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para centralizar e agilizar o processo em todo o país. O dado é do final de junho e se refere apenas às adoções realizadas pelo sistema. O número, portanto, pode ser bem maior se levados em consideração os procedimentos realizados pelos tribunais que não chegaram a ser relatados ao Conselho. 

De acordo com o último levantamento do CNJ, foram adotadas, por meio do cadastro, 534 crianças por um total de 482 pretendentes. Atualmente o número de crianças e adolescentes disponíveis chega a 4.685. A quantidade de interessados em adotar, por sua vez, continua sendo bem maior. São 27.052 pessoas inscritas no CNA. 

Dos inscritos, 24.659 declararam aceitar crianças brancas. Aceitam crianças negras apenas 8.834 dos pretendentes inscritos. Outros 8.754 declararam-se indiferentes à raça. Ainda segundo o levantamento, 22.451 deixaram claro o desejo de adotar crianças com até um ano de idade. A maior parte (22.201) também informou que não deseja adotar irmãos.

Com relação ao perfil das crianças disponíveis, apenas 1.616 é da raça branca. Outras 1.529 possuem irmãos.

(Fonte:
Agência CNJ de Notícias)

sábado, 6 de agosto de 2011

FRASE DA SEMANA

"...Todos os filhos são biológicos e todos os filhos são adotivos. Biológicos, porque essa é a única maneira de existirmos concreta e objetivamente; adotivos, porque é a única forma de sermos verdadeiramente filhos...(Luiz Schettini Filho)"

ADOÇÕES TARDIAS: A HISTÓRIA ANTES DA HISTÓRIA

Os primeiros anos de vida são como os primeiros lances de uma partida de xadrez, eles indicam a orientação e o estilo de toda a partida, mas enquanto não se está em cheque-mate, restam ainda bonitos lances para jogar. (Anna Freud)

Muitas vezes, ao conversar com pessoas que tinham planos de adoção, perguntei se imaginavam adotar um bebê. Candidamente eles respondiam, "não, não é preciso que seja um recém-nascido; a criança pode ter até 6 meses". Pessoas que não podem gerar filhos biológicos, quase sempre imaginam adotar um bebê, para "poder cuidar desde pequenininho; dar mamadeira e trocar fraldas!" E, imaginam que uma criança "mais velha" seja um bebê de até três meses de idade....
Todos nós já sabemos que não é esse o perfil de crianças que necessitam de uma adoção, ou seja, a maioria das crianças que estão a espera de uma nova família são crianças com mais idade. Tecnicamente, considera-se uma adoção como "tardia" quando a criança tem idade acima de dois anos. A pesquisa de Weber e Kossobudzki (1996) mostrou que a maioria das crianças que são deixadas nas instituições tem mais de sete anos de idade.
Como conciliar o desejo e a história anterior dessas crianças com a desejo dos adotantes? Será que é possível e viável a adoção de crianças com mais idade, crianças que já têm uma história? De acordo com Andrei (1997), "quanto mais tardia a adoção, mais vivas serão as lembranças do passado e mais enraizadas na sua memória as ilusões, sonhos, desejos e frustrações dos anos de abandono". Andrei afirma que as pessoas imaginam esta adoção em termos ideais. De um lado, a criança adotada extremamente grata e com o coração transbordante de amor represado durante os anos de "solidão"; do outro lado, a família sentindo-se plenamente realizada e recompensada através do seu novo membro. Às vezes, é exatamente essa a situação que ocorre. Às vezes, "o fardo do passado influenciando o comportamento da criança e a surpresa da família diante de manifestações decepcionantes, tornam a adoção mais parecida com um desafio" (Andrei, 1997).
No entanto, as experiências mostram que não é verdade que todas as adoções de crianças maiores sejam problemáticas, mas elas apresentam características especiais, pois, sem dúvida, são diferentes das adoções de bebês.
A principal diferença é que essa criança já possui um passado. E, geralmente, é um passado que contém cicatrizes. De qualquer forma, existiu uma outra relação anterior na vida dessa criança ou adolescente, mesmo que tenha sido uma não-relação, como ocorre com a vida em instituições. A principal questão para os pais, talvez seja, se essa criança conseguirá amá-los e se eles conseguirão amá-la. Já foi dito que, de maneira geral, a criança tem a capacidade de estabelecer vínculos afetivos de maneira mais fácil que os adultos. As crianças mesmo institucionalizadas estão com o seu amor latente... Para compreender e amar esta criança, deve-se ter em mente que não é possível apagar a sua história anterior e, certamente, proporcionar oportunidades para a criança de expressar as suas dores e tristezas, ou até raiva e sentimentos de perda. O maior medo de uma criança adotada tardiamente é "ser devolvida", é "voltar novamente para a instituição". Às vezes, essa criança pode ter tanto medo, que em vez de mostrar amor, ela pode fazer tudo ao contrário, pois de maneira não consciente ela pensa: "eu vou ser abandonada novamente, então é melhor não gostar deles".
Alguns depoimentos de filhos adotados com mais de seis anos de idade mostram sentimentos de medo e confusão: "Foi como se a minha vida tivesse virado de cabeça para baixo"; "Foi dramático, chocante, eram duas realidades bem diferentes"; "Eu fiquei assustada"; "Fiquei confusa, tive bastante medo".
Os pais adotivos devem estar preparados para estas reações, até mesmo certa hostilidade inicial, e serem tolerantes em relação a novos hábitos, costumes e sistemas de valores que a criança traz consigo. (...)
Na pesquisa que realizei com filhos adotivos, daqueles que foram adotados com mais de 6 anos, a maioria absoluta revelou que suas vidas melhoraram (93%): "Foi como ganhar na loto"; "Foi infinitamente melhor"; "Fui bem alimentada e pude estudar; "Tive maior estabilidade no emprego; meus pais incentivaram o diálogo"; "Tive pai e mãe".
Parece que, na adoção tardia, os pais devem ter uma capacidade grande de empatia, ou seja, de entender aquela história anterior do seu filho e devem ser também uma espécie de ancoradouro para que a criança ou o adolescente sinta que pode contar essa história, desabafar e até ter raiva dela. A capacidade de qualquer relacionamento familiar, de fato, parece não depender da história anterior dos protagonistas, da aparência física ou da idade, mas da verdadeira capacidade de construir o afeto, com base em trocas e doações.

LÍDIA WEBER - TRECHOS DO LIVRO: Laços de ternura: pesquisas e histórias de adoção

RECOMENDE